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Testemunho de situações desgraçadas
Sexta-feira, Novembro 24, 2006
Não sou muito chegado em restaurantes por quilo. Alguns até são bons. Mas, na maioria deles, tenho impressão de que aqueles rangos que ficam ali, expostos nas bandejas, são velhos, sujos e sem sabor. Prefiro bater PF em boteco.
Porém, às vezes, não tô a fim de comer muito. Quero só uma saladinha e um montinho de arroz com mistura. Aí o quilão se torna uma opção barata e prática. Foi pensando nisso que resolvi ir hoje a um restaurante perto de casa. Já tinha ido lá várias vezes e sempre achei a comida boa. "Vou pegar só uma saladinha e um filé de frango", pensei.
Aí cheguei lá e comecei a encher o prato de salada. Peguei um monte de alface, brócolis, tomate e uns ovos de codorna. Nas bandejas quentes, vi que tinha bacalhoada. Aí peguei um pouco com arroz. Também peguei uma banana à milaneza. Desisti do filé de frango. E fui pra mesa.
Comecei a comer o bacalhau antes da salada, pra ele não esfriar. De repente, tenho a impressão que o alface tá se mexendo. Olho pra ele e demoro algumas frações de segundo pra ver uma minhoquinha verde. Ela tinha, pelo menos, um centímetro e era bem fina. Esticava-se e contraía-se. Dava um rolê em cima do meu rango.
Com cuidado, peguei o bicho com o garfo. Coloquei-o ao lado do prato, que estava sobre uma bandeja de plástico, e fiquei observando o verme rastejar.
Depois olhei para o prato e pensei "será que continuo a comer?" Nisso, lembrei de uma vez, anos atrás, em que comia junto com um colega no refeitório da firma.
A gente batia a chepa e conversava, quando ele me falou "olha aqui". Com o garfo, o camarada tirou do meio das tiras de alface uma minhoquinha parecida com a que vi hoje, só que bem menor e menos ágil. Aí, o mano, tranqüilo e sereno, colocou o bichinho sobre a mesa e o partiu em dois, com um dos dentes do garfo. As duas metades da minhoquinha ficaram se contorcendo, agonizantes. E o brother continuou a comer sua salada.
- Mano, você vai continuar a comer isso? _ perguntei.
- Esses bichinhos são coisa normal. Não tem nada, não _ foi a resposta.
Lembrando dessa ocasião, hoje eu fiquei lá, olhando ora para o bicho, ora para o rango. Não sou um cara fresco pra comida, mas não conseguia parar de observar aquele verme rastejando na minha bandeja e imaginar que pudesse haver irmãozinhos dele no meio daquela saladona servida que peguei.
Aí, uma garçonete do pico passou do lado minha mesa e a chamei.
- Olha isso _ disse para ela, apontando a minhoca.
- Onde esse bicho tava?
- No alface. Acho que não vou comer mais essa salada.
- Quer trocar de prato?
- Seria bom...
Ela me trouxe um novo prato. Não peguei mais salada. Só o arroz, a bacalhoada e a banana à milaneza. A mulher me pediu mil desculpas.
- Geralmente, sou eu quem lava a salada. É que hoje eu tava ocupada e não pude. E a moça que lavou esqueceu de colocar o remédio...
- Tudo bem. Não tem problema.
A garçonete passou pela minha mesa mais umas cinco vezes, sempre pedindo mais desculpas.
Terminei de almoçar, paguei a conta e vazei. Agora ficarei um bom tempo sem ir a restaurantes por quilo.
Porém, às vezes, não tô a fim de comer muito. Quero só uma saladinha e um montinho de arroz com mistura. Aí o quilão se torna uma opção barata e prática. Foi pensando nisso que resolvi ir hoje a um restaurante perto de casa. Já tinha ido lá várias vezes e sempre achei a comida boa. "Vou pegar só uma saladinha e um filé de frango", pensei.
Aí cheguei lá e comecei a encher o prato de salada. Peguei um monte de alface, brócolis, tomate e uns ovos de codorna. Nas bandejas quentes, vi que tinha bacalhoada. Aí peguei um pouco com arroz. Também peguei uma banana à milaneza. Desisti do filé de frango. E fui pra mesa.
Comecei a comer o bacalhau antes da salada, pra ele não esfriar. De repente, tenho a impressão que o alface tá se mexendo. Olho pra ele e demoro algumas frações de segundo pra ver uma minhoquinha verde. Ela tinha, pelo menos, um centímetro e era bem fina. Esticava-se e contraía-se. Dava um rolê em cima do meu rango.
Com cuidado, peguei o bicho com o garfo. Coloquei-o ao lado do prato, que estava sobre uma bandeja de plástico, e fiquei observando o verme rastejar.
Depois olhei para o prato e pensei "será que continuo a comer?" Nisso, lembrei de uma vez, anos atrás, em que comia junto com um colega no refeitório da firma.
A gente batia a chepa e conversava, quando ele me falou "olha aqui". Com o garfo, o camarada tirou do meio das tiras de alface uma minhoquinha parecida com a que vi hoje, só que bem menor e menos ágil. Aí, o mano, tranqüilo e sereno, colocou o bichinho sobre a mesa e o partiu em dois, com um dos dentes do garfo. As duas metades da minhoquinha ficaram se contorcendo, agonizantes. E o brother continuou a comer sua salada.
- Mano, você vai continuar a comer isso? _ perguntei.
- Esses bichinhos são coisa normal. Não tem nada, não _ foi a resposta.
Lembrando dessa ocasião, hoje eu fiquei lá, olhando ora para o bicho, ora para o rango. Não sou um cara fresco pra comida, mas não conseguia parar de observar aquele verme rastejando na minha bandeja e imaginar que pudesse haver irmãozinhos dele no meio daquela saladona servida que peguei.
Aí, uma garçonete do pico passou do lado minha mesa e a chamei.
- Olha isso _ disse para ela, apontando a minhoca.
- Onde esse bicho tava?
- No alface. Acho que não vou comer mais essa salada.
- Quer trocar de prato?
- Seria bom...
Ela me trouxe um novo prato. Não peguei mais salada. Só o arroz, a bacalhoada e a banana à milaneza. A mulher me pediu mil desculpas.
- Geralmente, sou eu quem lava a salada. É que hoje eu tava ocupada e não pude. E a moça que lavou esqueceu de colocar o remédio...
- Tudo bem. Não tem problema.
A garçonete passou pela minha mesa mais umas cinco vezes, sempre pedindo mais desculpas.
Terminei de almoçar, paguei a conta e vazei. Agora ficarei um bom tempo sem ir a restaurantes por quilo.