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Testemunho de situações desgraçadas
Sexta-feira, Outubro 27, 2006
"Tô indo lá pro viaduto Sumaré. Parece que um cara tava fazendo rapel e caiu", disse o colega, por telefone.
Pra quem não mora em São Paulo, esse viaduto é um pico da cidade onde, toda noite, praticantes de esportes radicais fazem rapel. Você passa lá às 22h, 23h e vê aquele monte de jovens de capacete, descendo em cordas até o canteiro central da Avenida Sumaré. Uma descida de, no mínimo, uns 20 metros.
E lá fomos nós. Paramos o carro debaixo do viaduto, próximo a uma rodinha de PMs. Eles estavam em volta do corpo. Cheguei perto pra olhar. Era um moleque. De camiseta e bermuda. Tinha caído de cara no chão. A cabeça estava aberta, com os miolos e pedaços de crânio espalhados na calçada. Um buraco no lugar do rosto.
"Não. Não tava fazendo rapel. Parece que foi suicídio", disse um PM.
Fomos pra cima do viaduto. Colei na galerinha do rapel e perguntei como tinha sido a parada. "O cara chegou, subiu aqui (na grade da ponte), ficou um tempinho olhando pra baixo e pulou. Não falou nada. Ninguém conhecia ele."
Não havia mais o que fazer ali. Eu e o colega fomos tomar café. Foi uma noite bem tranqüila.
Pra quem não mora em São Paulo, esse viaduto é um pico da cidade onde, toda noite, praticantes de esportes radicais fazem rapel. Você passa lá às 22h, 23h e vê aquele monte de jovens de capacete, descendo em cordas até o canteiro central da Avenida Sumaré. Uma descida de, no mínimo, uns 20 metros.
E lá fomos nós. Paramos o carro debaixo do viaduto, próximo a uma rodinha de PMs. Eles estavam em volta do corpo. Cheguei perto pra olhar. Era um moleque. De camiseta e bermuda. Tinha caído de cara no chão. A cabeça estava aberta, com os miolos e pedaços de crânio espalhados na calçada. Um buraco no lugar do rosto.
"Não. Não tava fazendo rapel. Parece que foi suicídio", disse um PM.
Fomos pra cima do viaduto. Colei na galerinha do rapel e perguntei como tinha sido a parada. "O cara chegou, subiu aqui (na grade da ponte), ficou um tempinho olhando pra baixo e pulou. Não falou nada. Ninguém conhecia ele."
Não havia mais o que fazer ali. Eu e o colega fomos tomar café. Foi uma noite bem tranqüila.