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Testemunho de situações desgraçadas
Sábado, Setembro 09, 2006
Certa vez vi um ser humano do avesso.
Foi em Itaquaquecetuba, em 2001. Cheguei lá à tarde, horas depois da explosão de um cilindro de oxigênio. Que era transportado por um caminhão que havia tombado ao lado de uma avenida, numa área industrial. Com auxílio de um guincho, uns manos foram lá e destombaram o caminhão. Aí, do nada, a carreta foi pelos ares. Ninguém soube dizer a causa.
Três caras morreram. O que estava mais perto do cilindro de oxigênio foi arremessado a uma distância de cerca de 15 metros. Os corpos estavam cobertos com lonas.
Cheguei lá e comecei a fazer meu trampo, falando com bombeiros, PMs e pessoas que trabalhavam nos arredores. Elas contavam que, na hora do estrondo, o chão tremeu.
Quando estava quase indo embora, notei uma aglomeração em torno de um dos cadáveres. O que tinha sido arremessado a 15 metros. De longe, vi tirarem a lona de cima do presunto. Aliás, ao chegar perto descobri que estava mais para patê de presunto.
Um amontodado de carne moída, ossos e órgãos. Tudo no meio de muito sangue. A única coisa que fazia a gente perceber que aquilo havia sido uma pessoa eram as roupas. Meio rasgadas, mas recheadas de carne humana disforme.
Todos os curiosos que estavam em volta viraram a cara.
Os PMs haviam tirado a lona de cima do corpo para que um primo da vítima reconhecesse o morto. E, chorando, o cara o reconheceu pelas roupas. Parece que eles eram bem amigos e trabalhavam juntos, o que aumentava o sofrimento do sujeito. "Olha como ele ficou, olha como ele ficou...", repetia o rapaz transtornado.
Fui embora dali.
Foi em Itaquaquecetuba, em 2001. Cheguei lá à tarde, horas depois da explosão de um cilindro de oxigênio. Que era transportado por um caminhão que havia tombado ao lado de uma avenida, numa área industrial. Com auxílio de um guincho, uns manos foram lá e destombaram o caminhão. Aí, do nada, a carreta foi pelos ares. Ninguém soube dizer a causa.
Três caras morreram. O que estava mais perto do cilindro de oxigênio foi arremessado a uma distância de cerca de 15 metros. Os corpos estavam cobertos com lonas.
Cheguei lá e comecei a fazer meu trampo, falando com bombeiros, PMs e pessoas que trabalhavam nos arredores. Elas contavam que, na hora do estrondo, o chão tremeu.
Quando estava quase indo embora, notei uma aglomeração em torno de um dos cadáveres. O que tinha sido arremessado a 15 metros. De longe, vi tirarem a lona de cima do presunto. Aliás, ao chegar perto descobri que estava mais para patê de presunto.
Um amontodado de carne moída, ossos e órgãos. Tudo no meio de muito sangue. A única coisa que fazia a gente perceber que aquilo havia sido uma pessoa eram as roupas. Meio rasgadas, mas recheadas de carne humana disforme.
Todos os curiosos que estavam em volta viraram a cara.
Os PMs haviam tirado a lona de cima do corpo para que um primo da vítima reconhecesse o morto. E, chorando, o cara o reconheceu pelas roupas. Parece que eles eram bem amigos e trabalhavam juntos, o que aumentava o sofrimento do sujeito. "Olha como ele ficou, olha como ele ficou...", repetia o rapaz transtornado.
Fui embora dali.