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Testemunho de situações desgraçadas
Quinta-feira, Maio 19, 2005
Seis e pouco da manhã. O dia havia amanhecido cinzento e com garoa. Mais uma horinha e poderia ir pra casa. Nenhuma desgraça significativa havia ocorrido naquela madrugada. Tudo estava extremamente calmo. Escutando Kiss FM e olhando sites pornográficos, eu esperava dar sete horas pra vazar do trampo, quando o telefone tocou.
Era um colega me avisando:
- Dois caras estupraram uma mulher e depois tacaram fogo. Em Embu das Artes. Tamo indo pra lá agora.
Desliguei o telefone praguejando e avisei o colega fotógrafo. Em poucos minutos estávamos no carro, a caminho de Embu. Minha cama ia ter que esperar mais algumas horas.
Na delegacia da cidade, eu e os colegas nos encontramos. Lá estavam presos os dois homens que haviam feito a barbaridade. Ambos eram negros e tinham idades em torno de 18, 19 anos.
Com o delegado, obtivemos o nome e alguns outros dados da vítima; uma mulher de 51 ou 52 anos.
Uma história realmente desgraçada. A tiazinha gostava de tomar umas e foi encher a cara em um boteco. Lá encontrou dois garotões que lhe pagaram um monte de bebida. Totalmente breaca, ela concordou em trepar com ambos. E lá se foram os três para uma construção abandonada, cercada de matagal, onde os manos costumavam fumar maconha.
Tudo ia bem até que, na hora do vamos ver, a tia perguntou aos garotões se eles tinham camisinha. Como a resposta foi negativa, ela decidiu não dar mais. E tal recusa custou sua vida. Os dois a pegaram à força, espancando-a brutalmente, e depois atearam fogo a seu corpo agonizante. Tudo ocorreu dentro do banheiro da construção, um cubículo imundo.
Ficamos frente a frente com os assassinos algemados no DP. Um estava com cara de assustado, tremendo. O outro parecia calmo. Perguntei por que eles fizeram aquela coisa horrível com a mulher. O assustado disse algo como "não sei. A gente tava nervoso" e o calmo disse "eu não fiz nada", lançando-nos um olhar desafiador de filha da puta. Um tira viu a gente falando com os caras e logo veio nos tirar da sala. Não pudemos mais falar com eles, mas nossos colegas fotógrafos conseguiram suas imagens.
De lá fomos para o local do crime. A mulher tinha sido socorrida e morrido no hospital. Mas, no banheiro imundo onde ocorrera a desgraça, ainda havia pedaços de roupa queimados, além do cheiro de carne carbonizada. Uns tiras que estavam junto com a gente disseram então que iriam até a casa da vítima.
Fomos atrás.
O lugar era bem pobre. Saíram da casa a filha, o filho e o genro da mulher. Eles ainda não sabiam o que tinha rolado e estavam preocupados com o fato de a vítima ainda não ter voltado. Ao ver policiais à sua porta, logo perceberam que receberiam uma má notícia.
Eu e os colegas ficamos meio de longe, olhando os tiras contarem o ocorrido à família. Não ouvimos o que disseram. Só vimos a moça começar a chorar e os rostos do filho e do genro tornarem-se máscaras de ódio.
O genro, depois de ouvir tudo, saiu andando em círculos, com os punhos fechados, gritando que queria saber quem fizera aquilo, pois mataria os caras. Um dos fotógrafos aproveitou a deixa e disse "eu tenho a foto deles". Ele estava com um equipamento digital e mostrou a imagem dos assassinos no visor da câmera.
"Esse filho da puta é um nóia! Eu conheço ele! Mora aqui perto! Na rua de baixo! Vô matá!", gritou o genro após reconhecer um dos assassinos. O filho não falava nada, mas chorava, com raiva no olhar. Aquele olhar de quem acabou de saber que a mãe fora estuprada e incendiada pelo nóia da rua de baixo.
Era um colega me avisando:
- Dois caras estupraram uma mulher e depois tacaram fogo. Em Embu das Artes. Tamo indo pra lá agora.
Desliguei o telefone praguejando e avisei o colega fotógrafo. Em poucos minutos estávamos no carro, a caminho de Embu. Minha cama ia ter que esperar mais algumas horas.
Na delegacia da cidade, eu e os colegas nos encontramos. Lá estavam presos os dois homens que haviam feito a barbaridade. Ambos eram negros e tinham idades em torno de 18, 19 anos.
Com o delegado, obtivemos o nome e alguns outros dados da vítima; uma mulher de 51 ou 52 anos.
Uma história realmente desgraçada. A tiazinha gostava de tomar umas e foi encher a cara em um boteco. Lá encontrou dois garotões que lhe pagaram um monte de bebida. Totalmente breaca, ela concordou em trepar com ambos. E lá se foram os três para uma construção abandonada, cercada de matagal, onde os manos costumavam fumar maconha.
Tudo ia bem até que, na hora do vamos ver, a tia perguntou aos garotões se eles tinham camisinha. Como a resposta foi negativa, ela decidiu não dar mais. E tal recusa custou sua vida. Os dois a pegaram à força, espancando-a brutalmente, e depois atearam fogo a seu corpo agonizante. Tudo ocorreu dentro do banheiro da construção, um cubículo imundo.
Ficamos frente a frente com os assassinos algemados no DP. Um estava com cara de assustado, tremendo. O outro parecia calmo. Perguntei por que eles fizeram aquela coisa horrível com a mulher. O assustado disse algo como "não sei. A gente tava nervoso" e o calmo disse "eu não fiz nada", lançando-nos um olhar desafiador de filha da puta. Um tira viu a gente falando com os caras e logo veio nos tirar da sala. Não pudemos mais falar com eles, mas nossos colegas fotógrafos conseguiram suas imagens.
De lá fomos para o local do crime. A mulher tinha sido socorrida e morrido no hospital. Mas, no banheiro imundo onde ocorrera a desgraça, ainda havia pedaços de roupa queimados, além do cheiro de carne carbonizada. Uns tiras que estavam junto com a gente disseram então que iriam até a casa da vítima.
Fomos atrás.
O lugar era bem pobre. Saíram da casa a filha, o filho e o genro da mulher. Eles ainda não sabiam o que tinha rolado e estavam preocupados com o fato de a vítima ainda não ter voltado. Ao ver policiais à sua porta, logo perceberam que receberiam uma má notícia.
Eu e os colegas ficamos meio de longe, olhando os tiras contarem o ocorrido à família. Não ouvimos o que disseram. Só vimos a moça começar a chorar e os rostos do filho e do genro tornarem-se máscaras de ódio.
O genro, depois de ouvir tudo, saiu andando em círculos, com os punhos fechados, gritando que queria saber quem fizera aquilo, pois mataria os caras. Um dos fotógrafos aproveitou a deixa e disse "eu tenho a foto deles". Ele estava com um equipamento digital e mostrou a imagem dos assassinos no visor da câmera.
"Esse filho da puta é um nóia! Eu conheço ele! Mora aqui perto! Na rua de baixo! Vô matá!", gritou o genro após reconhecer um dos assassinos. O filho não falava nada, mas chorava, com raiva no olhar. Aquele olhar de quem acabou de saber que a mãe fora estuprada e incendiada pelo nóia da rua de baixo.