Blogs
- For No One
- Boteco Sujo
- O Dependente
- Gim Tones
- Lá Vai Maria
- Mão na Bunda
- Escambau
- Ed Gardenall
- Vida Semibesta
- Hit Me Baby
- Longa Jornada
- PÃlula Pop
- Unblog
- Metralhadora Giratória
- Ameba
- Caomorto
Archives
- 01/01/2004 - 02/01/2004
- 02/01/2004 - 03/01/2004
- 03/01/2004 - 04/01/2004
- 04/01/2004 - 05/01/2004
- 05/01/2004 - 06/01/2004
- 06/01/2004 - 07/01/2004
- 07/01/2004 - 08/01/2004
- 08/01/2004 - 09/01/2004
- 09/01/2004 - 10/01/2004
- 11/01/2004 - 12/01/2004
- 12/01/2004 - 01/01/2005
- 01/01/2005 - 02/01/2005
- 02/01/2005 - 03/01/2005
- 03/01/2005 - 04/01/2005
- 04/01/2005 - 05/01/2005
- 05/01/2005 - 06/01/2005
- 06/01/2005 - 07/01/2005
- 07/01/2005 - 08/01/2005
- 08/01/2005 - 09/01/2005
- 11/01/2005 - 12/01/2005
- 12/01/2005 - 01/01/2006
- 01/01/2006 - 02/01/2006
- 03/01/2006 - 04/01/2006
- 04/01/2006 - 05/01/2006
- 05/01/2006 - 06/01/2006
- 06/01/2006 - 07/01/2006
- 08/01/2006 - 09/01/2006
- 09/01/2006 - 10/01/2006
- 10/01/2006 - 11/01/2006
- 11/01/2006 - 12/01/2006
- 12/01/2006 - 01/01/2007
- 02/01/2007 - 03/01/2007
- 05/01/2007 - 06/01/2007
- 01/01/2008 - 02/01/2008
Testemunho de situações desgraçadas
Terça-feira, Julho 20, 2004
O delegado tinha cara de moleque. Era gente fina. Já os dois tiras que também estavam de plantão naquela madrugada, pareciam estar alucinados. Olhos arregalados, tom de voz agressivo, risadas assustadoras. Pareciam ter cheirado muita farinha. "Espera aí que a gente vai buscar o filho da puta", disse um dos malucos a mim e ao colega fotógrafo.
O filho da puta era um rapaz magro e alto, com cara de coitado, que devia ter uns 20 anos. Fora preso naquela noite, acusado de assalto, estupro e atentado violento ao pudor.
Quando fiquei frente a frente com o cara, que estava visivelmente apavorado, tremendo feito um doente de mal de Parkinson, já havia lido o boletim de ocorrência da prisão e conversado com o delega. Segundo a polícia, ele havia assaltado um vendedor de carros. Constava no B.O. que levou o relógio da vítima, a carteira com alguns trocados e, pra finalizar, a mandou fazer sexo oral.
Sim... Teria obrigado um homem a fazer boquete.
Na seqüência, ainda de acordo com o B.O., o acusado foi para uma viela, onde abordou uma mulher de 30 e poucos anos e a fez tirar toda a roupa. Quando a mulher já estava nua, prestes a ser estuprada, uma menina de 14 anos entrou na viela. O doido teria então resolvido mudar de vítima e ordenado à menina que ela também ficasse nua. Depois _lembro que tudo aqui foi dito pela polícia_, estuprou e violentou a garotinha. "A menina chegou aqui com o shorts todo sujo de sangue. Estava bem machucada" falou um dos investigadores.
O acusado já estaria dando área da viela quando uma viatura da PM o pegou. Os policiais haviam sido avisados pelo vendedor que teve o relógio, a carteira e a dignidade roubados.
Parado em nossa frente, encostado à parede do plantão policial, com os braços algemados para trás, o preso estava vivendo o seu pior pesadelo, na mão daqueles dois tiras dementes.
"Manda beijo pro fotógrafo, seu filho da puta. Diz 'fotógrafo, eu te amo!` Vai!. Diz! DIZ, PORRA!'", latia o mais psicopata dos dois tiras, um cara calvo, na faixa dos 40, grande, gordo e forte, sempre ameaçando sentar a mão no acusado. "Fotógrafo, eu te amo", grunhiu este, apavorado, enquanto meu colega mandava flashs em seu rosto.
"Agora fala pra ele (eu) o que você fez, filho da puta. Do jeito que vc contou pra nós. FALA O QUE VC FEZ!!", prosseguiu o tira mentecapto.
Quando o outro respondeu, baixinho, que não havia feito nada, o policial só levantou a mão e ele fechou os olhos e se encolheu, esperando a porrada. "Oooolha...", ameaçou o tira.
Sem saber muito o que fazer, resolvi abrir a boca, até ali calada.
Eu: "Você assaltou um homem, não assaltou?".
Preso: "S... s... sim".
Eu: "E depois do assalto, o que vc fez?".
Preso: "..."
Tira louco: "FALA FILHO DA PUTA. FALA!!!!"
Preso (começando a chorar): "Eu pedi pra ele fazer uma chupetinha".
Ao ouvir essas palavras, o tira, de punho cerrado, desferiu o murro mais violento que já presenciei na minha vida contra o peito do acusado. Este dobrou as pernas e, por alguns segundos, pareceu não conseguir respirar. A cena me emudeceu. Não esqueço o som da porrada, que ecoou pelo plantão do DP.
Depois de alguns segundos em que todos ficaram calados, o detido recuperou o fôlego e o investigador me intimou: "Vai, continua a perguntar". Fiz mais algumas perguntas e o cara confirmou o restante da história relatada no B.O..
"Pra mim tá bom", eu disse ao tira. E este sacou sua pistola da cintura, encostou na cabeça do acusado e gritou "AGORA VOCÊ VAI MORRER, CARA!!!" e puxou o gatilho.
A arma estava descarregada, mas o som de seu estalo, naquele silencioso plantão noturno, pareceu altíssimo. O "clack" da pistola fez o preso fechar os olhos e dobrar o corpo, tremendo como em um ataque de nervos. Talvez tenha até cagado nas calças.
Depois disso, os tiras soltaram gargalhadas medonhas. "Ainda não acabamos com você", disse o mais doido, puxando o preso pelo braço, de volta ao corró do DP.
Saí de lá com uma sensação estranha. Por um lado, achava que o preso tinha que sofrer muito pra pagar o que teria feito. Por outro, fiquei chocado com a loucura daqueles policiais.
Hoje, um pouco mais experiente, acho que, apavorado daquele jeito, o cidadão poderia ter dito qualquer coisa que os tiras quisessem. E hoje também sei que não se deve confiar na polícia em hipótese alguma.
O filho da puta era um rapaz magro e alto, com cara de coitado, que devia ter uns 20 anos. Fora preso naquela noite, acusado de assalto, estupro e atentado violento ao pudor.
Quando fiquei frente a frente com o cara, que estava visivelmente apavorado, tremendo feito um doente de mal de Parkinson, já havia lido o boletim de ocorrência da prisão e conversado com o delega. Segundo a polícia, ele havia assaltado um vendedor de carros. Constava no B.O. que levou o relógio da vítima, a carteira com alguns trocados e, pra finalizar, a mandou fazer sexo oral.
Sim... Teria obrigado um homem a fazer boquete.
Na seqüência, ainda de acordo com o B.O., o acusado foi para uma viela, onde abordou uma mulher de 30 e poucos anos e a fez tirar toda a roupa. Quando a mulher já estava nua, prestes a ser estuprada, uma menina de 14 anos entrou na viela. O doido teria então resolvido mudar de vítima e ordenado à menina que ela também ficasse nua. Depois _lembro que tudo aqui foi dito pela polícia_, estuprou e violentou a garotinha. "A menina chegou aqui com o shorts todo sujo de sangue. Estava bem machucada" falou um dos investigadores.
O acusado já estaria dando área da viela quando uma viatura da PM o pegou. Os policiais haviam sido avisados pelo vendedor que teve o relógio, a carteira e a dignidade roubados.
Parado em nossa frente, encostado à parede do plantão policial, com os braços algemados para trás, o preso estava vivendo o seu pior pesadelo, na mão daqueles dois tiras dementes.
"Manda beijo pro fotógrafo, seu filho da puta. Diz 'fotógrafo, eu te amo!` Vai!. Diz! DIZ, PORRA!'", latia o mais psicopata dos dois tiras, um cara calvo, na faixa dos 40, grande, gordo e forte, sempre ameaçando sentar a mão no acusado. "Fotógrafo, eu te amo", grunhiu este, apavorado, enquanto meu colega mandava flashs em seu rosto.
"Agora fala pra ele (eu) o que você fez, filho da puta. Do jeito que vc contou pra nós. FALA O QUE VC FEZ!!", prosseguiu o tira mentecapto.
Quando o outro respondeu, baixinho, que não havia feito nada, o policial só levantou a mão e ele fechou os olhos e se encolheu, esperando a porrada. "Oooolha...", ameaçou o tira.
Sem saber muito o que fazer, resolvi abrir a boca, até ali calada.
Eu: "Você assaltou um homem, não assaltou?".
Preso: "S... s... sim".
Eu: "E depois do assalto, o que vc fez?".
Preso: "..."
Tira louco: "FALA FILHO DA PUTA. FALA!!!!"
Preso (começando a chorar): "Eu pedi pra ele fazer uma chupetinha".
Ao ouvir essas palavras, o tira, de punho cerrado, desferiu o murro mais violento que já presenciei na minha vida contra o peito do acusado. Este dobrou as pernas e, por alguns segundos, pareceu não conseguir respirar. A cena me emudeceu. Não esqueço o som da porrada, que ecoou pelo plantão do DP.
Depois de alguns segundos em que todos ficaram calados, o detido recuperou o fôlego e o investigador me intimou: "Vai, continua a perguntar". Fiz mais algumas perguntas e o cara confirmou o restante da história relatada no B.O..
"Pra mim tá bom", eu disse ao tira. E este sacou sua pistola da cintura, encostou na cabeça do acusado e gritou "AGORA VOCÊ VAI MORRER, CARA!!!" e puxou o gatilho.
A arma estava descarregada, mas o som de seu estalo, naquele silencioso plantão noturno, pareceu altíssimo. O "clack" da pistola fez o preso fechar os olhos e dobrar o corpo, tremendo como em um ataque de nervos. Talvez tenha até cagado nas calças.
Depois disso, os tiras soltaram gargalhadas medonhas. "Ainda não acabamos com você", disse o mais doido, puxando o preso pelo braço, de volta ao corró do DP.
Saí de lá com uma sensação estranha. Por um lado, achava que o preso tinha que sofrer muito pra pagar o que teria feito. Por outro, fiquei chocado com a loucura daqueles policiais.
Hoje, um pouco mais experiente, acho que, apavorado daquele jeito, o cidadão poderia ter dito qualquer coisa que os tiras quisessem. E hoje também sei que não se deve confiar na polícia em hipótese alguma.
Sexta-feira, Julho 02, 2004
Eufórico, desci do carro naquela madrugada de março de 2001 para entrar no 101 DP, do Jardim das Imbuias _zona sul paulistana. Lá, ficaria frente a frente com uma criatura bizarra que, no dia seguinte, seria batizada pelos jornais de Vampiro da Billings ou Vampiro do Cantinho do Céu. Fã de filmes de horror desde a adolescência, eu teria a oportunidade de conhecer um cara que havia cortado o pescoço de uma garota para beber sangue.
O corte havia sido superficial. Insuficiente para matar a mina, que estava sentada no plantão do DP com um esparadrapo no pescoço, quando eu e meus colegas chegamos.
A moça não tinha nada a ver com as lindas atrizes que têm a jugular mordida nos filmes do Drácula. Aos 19 anos, alta, magrela e de pele parda, era feia como o rascunho do mapa do inferno. Estava toda machucada, pois, no dia anterior, ela e a mãe haviam sido vítimas de uma sessão de tortura.
Deixei para falar com elas depois. Passei batido e fui direto à sala onde o delegado e o escrivão faziam o boletim de ocorrência. No canto, de pé e com as mãos algemadas, estava o monstro. Ele era baixinho, trajava uma camisa social de mangas compridas branca, com a gola fechada, e calça social preta. Se a vítima não tinha nada a ver com as gostosas dos filmes de horror, ele tinha. Careca, com cabeça raspada, e de orelhas grandes, lembrava o Nosferatu.
Naquela época, eu trabalhava em companhia de um colega, fotógrafo, que morava numa quebrada nervosa de Osasco e tinha lutado em torneio de vale-tudo. Ou seja, um cara que sabia meter medo. Ele foi direto pra cima do doido com a máquina fotográfica e, com voz firme e ameaçadora, intimou "mostra os dentes". Na hora, o maluco obedeceu, fazendo uma careta feia, com os dentes cerrados.
Após a sessão de fotos, conversamos com o mano e, na boa, ele não só admitiu ter tomado o sangue da mina. Também confessou cinco assassinatos. Com olhar de maluco, o vampiro narrou tudo em detalhes, de maneira pausada, olhando para cima quando tentava se lembrar dos pormenores. Falava calmamente, como se matar fosse uma coisa corriqueira.
A treta que o levou à cadeia havia começado na tarde do dia anterior, no bairro onde todos eles moravam, o Cantinho do Céu. Uma área que, pode crer, não tem nada a ver com o nome.
O acusado e um amigo conhecido como São-paulino foram à casa das vítimas à procura da jovem. Na porta, foram atendidos pela mãe dela. Logo, o vampiro empurrou a mulher para dentro da casa e passou a espancá-la. São-paulino ficou do lado de fora. Vigiando.
Em seguida, chegou a filha. Rendida, a magrela também foi obrigada a entrar na residência. Seguiu-se uma sessão de sadismo, tortura.
O vampiro tava puto porque a mina sabia que ele tinha matado outro morador do bairro, conhecido como Geninho, na semana anterior, e jogado o corpo na represa Billings.
Segundo o anormal nos contou, a jovem estava ameaçando dedurá-lo às autoridades. Ele então pegou uma tesoura e uma faca de cabo branco, do tipo usado em açougue, e passou a fazer cortes no rosto e no pescoço de mãe e filha. Um dos cortes, na garganta da mina, apesar de superficial, sangrou bastante. E o vampirão resolveu experimentar a parada. Perguntamos como fora a sensação e ele mandou: "Era grosso e doce". Havia curtido.
Os cabelos da moça também foram retalhados, a golpes de faca. A sessão de tortura, que deixou o chão todo sujo de sangue, foi interrompida por um casal de adolescentes que bateu na porta. Ele tinha 15 anos e ela, 16. Muito amiga da jovem que estava sendo torturada, a última também sabia do homicídio cometido pelo vampiro e ameaçava cagüetá-lo. Era outra que estava em sua lista negra.
Os menores haviam ido até a casa porque queriam cigarros, pois as vítimas da tortura possuíam uma birosca que, àquela hora, já havia fechado. Foram atrás dos cigarros e encontraram a morte. Ambos foram rendidos pelo Vampiro do Cantinho do Céu e seu comparsa São-paulino. Enquanto o capanga segurava um dos adolescentes, o monstro estrangulava o outro com pedaços de fio.
Terminado o serviço, a dupla assassina decidiu dar sumiço nos corpos. Mãe e filha foram então ordenadas a limpar o sangue do chão da casa, enquanto o bebedor de sangue e o São-paulino levavam os cadáveres para a Billings.
As duas obedeceram, pois tinham muito medo do vampiro, que voltou à casa horas depois e viu que o pescoço da jovem continuava a sangrar muito. "Ela é minha colega. Queria me dedar, mas gosto dela. Por isso deixei ela viva", explicou. Com dó da moça, ele mandou ela chamar a PM para socorrê-la e a instruiu a inventar um falso estupro para justificar os ferimentos. Assim foi feito.
Enquanto a mina era levada ao hospital, o Vampiro do Cantinho do Céu e São-paulino foram embora, para dormir em suas respectivas casas. Na manhã seguinte, a mãe da mina não agüentou e decidiu mudar-se do bairro. Mas, antes, foi à delegacia e contou tudo à polícia, que encontrou o vampiro em casa, dormindo. São-paulino não foi localizado.
Ainda conversando conosco, o lunático contou que o primeiro assassinato cometido por ele ocorrera dois anos antes, quando matou um sujeito por causa de uma "briga de salão". Um ano e pouco depois, assassinou outro, que havia lhe assaltado. Geninho, o morto da semana anterior, era comparsa deste assaltante e estaria lhe ameaçando de morte. Por isso, também foi pro saco.
Todos os corpos foram jogados na Represa Billings. Segundo a polícia, quando o assassino foi levado lá para indicar onde havia se livrado das vítimas, pulou na água e tentou fugir nadando cachorrinho, mas acabou preso de novo.
Saí daquele distrito pensando em escrever um roteiro de cinema.
O corte havia sido superficial. Insuficiente para matar a mina, que estava sentada no plantão do DP com um esparadrapo no pescoço, quando eu e meus colegas chegamos.
A moça não tinha nada a ver com as lindas atrizes que têm a jugular mordida nos filmes do Drácula. Aos 19 anos, alta, magrela e de pele parda, era feia como o rascunho do mapa do inferno. Estava toda machucada, pois, no dia anterior, ela e a mãe haviam sido vítimas de uma sessão de tortura.
Deixei para falar com elas depois. Passei batido e fui direto à sala onde o delegado e o escrivão faziam o boletim de ocorrência. No canto, de pé e com as mãos algemadas, estava o monstro. Ele era baixinho, trajava uma camisa social de mangas compridas branca, com a gola fechada, e calça social preta. Se a vítima não tinha nada a ver com as gostosas dos filmes de horror, ele tinha. Careca, com cabeça raspada, e de orelhas grandes, lembrava o Nosferatu.
Naquela época, eu trabalhava em companhia de um colega, fotógrafo, que morava numa quebrada nervosa de Osasco e tinha lutado em torneio de vale-tudo. Ou seja, um cara que sabia meter medo. Ele foi direto pra cima do doido com a máquina fotográfica e, com voz firme e ameaçadora, intimou "mostra os dentes". Na hora, o maluco obedeceu, fazendo uma careta feia, com os dentes cerrados.
Após a sessão de fotos, conversamos com o mano e, na boa, ele não só admitiu ter tomado o sangue da mina. Também confessou cinco assassinatos. Com olhar de maluco, o vampiro narrou tudo em detalhes, de maneira pausada, olhando para cima quando tentava se lembrar dos pormenores. Falava calmamente, como se matar fosse uma coisa corriqueira.
A treta que o levou à cadeia havia começado na tarde do dia anterior, no bairro onde todos eles moravam, o Cantinho do Céu. Uma área que, pode crer, não tem nada a ver com o nome.
O acusado e um amigo conhecido como São-paulino foram à casa das vítimas à procura da jovem. Na porta, foram atendidos pela mãe dela. Logo, o vampiro empurrou a mulher para dentro da casa e passou a espancá-la. São-paulino ficou do lado de fora. Vigiando.
Em seguida, chegou a filha. Rendida, a magrela também foi obrigada a entrar na residência. Seguiu-se uma sessão de sadismo, tortura.
O vampiro tava puto porque a mina sabia que ele tinha matado outro morador do bairro, conhecido como Geninho, na semana anterior, e jogado o corpo na represa Billings.
Segundo o anormal nos contou, a jovem estava ameaçando dedurá-lo às autoridades. Ele então pegou uma tesoura e uma faca de cabo branco, do tipo usado em açougue, e passou a fazer cortes no rosto e no pescoço de mãe e filha. Um dos cortes, na garganta da mina, apesar de superficial, sangrou bastante. E o vampirão resolveu experimentar a parada. Perguntamos como fora a sensação e ele mandou: "Era grosso e doce". Havia curtido.
Os cabelos da moça também foram retalhados, a golpes de faca. A sessão de tortura, que deixou o chão todo sujo de sangue, foi interrompida por um casal de adolescentes que bateu na porta. Ele tinha 15 anos e ela, 16. Muito amiga da jovem que estava sendo torturada, a última também sabia do homicídio cometido pelo vampiro e ameaçava cagüetá-lo. Era outra que estava em sua lista negra.
Os menores haviam ido até a casa porque queriam cigarros, pois as vítimas da tortura possuíam uma birosca que, àquela hora, já havia fechado. Foram atrás dos cigarros e encontraram a morte. Ambos foram rendidos pelo Vampiro do Cantinho do Céu e seu comparsa São-paulino. Enquanto o capanga segurava um dos adolescentes, o monstro estrangulava o outro com pedaços de fio.
Terminado o serviço, a dupla assassina decidiu dar sumiço nos corpos. Mãe e filha foram então ordenadas a limpar o sangue do chão da casa, enquanto o bebedor de sangue e o São-paulino levavam os cadáveres para a Billings.
As duas obedeceram, pois tinham muito medo do vampiro, que voltou à casa horas depois e viu que o pescoço da jovem continuava a sangrar muito. "Ela é minha colega. Queria me dedar, mas gosto dela. Por isso deixei ela viva", explicou. Com dó da moça, ele mandou ela chamar a PM para socorrê-la e a instruiu a inventar um falso estupro para justificar os ferimentos. Assim foi feito.
Enquanto a mina era levada ao hospital, o Vampiro do Cantinho do Céu e São-paulino foram embora, para dormir em suas respectivas casas. Na manhã seguinte, a mãe da mina não agüentou e decidiu mudar-se do bairro. Mas, antes, foi à delegacia e contou tudo à polícia, que encontrou o vampiro em casa, dormindo. São-paulino não foi localizado.
Ainda conversando conosco, o lunático contou que o primeiro assassinato cometido por ele ocorrera dois anos antes, quando matou um sujeito por causa de uma "briga de salão". Um ano e pouco depois, assassinou outro, que havia lhe assaltado. Geninho, o morto da semana anterior, era comparsa deste assaltante e estaria lhe ameaçando de morte. Por isso, também foi pro saco.
Todos os corpos foram jogados na Represa Billings. Segundo a polícia, quando o assassino foi levado lá para indicar onde havia se livrado das vítimas, pulou na água e tentou fugir nadando cachorrinho, mas acabou preso de novo.
Saí daquele distrito pensando em escrever um roteiro de cinema.